Lesões se tornam a principal dor de cabeça para Tite na seleção

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Em uma Copa América de imenso favoritismo para o Brasil na fase de grupos, a maior ameaça para o técnico Tite neste início de torneio são as lesões no elenco. Prestes a fazer o segundo jogo pela competição, terça-feira, contra a Venezuela, em Salvador, o elenco ainda não se livrou de preocupações e mal tem conseguido contar com os 23 atletas convocados para os treinamentos.

A preparação para o torneio começou na Granja Comary, em 22 de maio, e desde então os problemas físicos e lesões afetaram seis jogadores. A situação mais grave foi com Neymar, cortado após romper os ligamentos do tornozelo direito durante amistoso com o Catar.

Tite teve dores de cabeça com mais outros convocados. Thiago Silva e Fagner se apresentaram em fase final de recuperação de lesões, Éder Militão deixou o treino de sábado com problema no quadril e Arthur sofreu com dores no joelho e perdeu a estreia. Por fim, Ederson continua fora com lesão na panturrilha direita.

A sequência de problemas, como lesões e apresentação tardia de convocados, levou Tite a só conseguir uma vez reunir os 23 convocados para uma atividade. Na quarta-feira da semana passada, no Pacaembu, todos os jogadores estiveram no gramado, porém com uma ressalva. Naquela tarde, o volante Arthur trabalhou separado dos demais colegas, pois ainda se recuperava do problema que o tiraria também do jogo de abertura da Copa América, contra a Bolívia.

Embora o treino de domingo, no Barradão, tenha mostrado boas notícias, o temor de novos desfalques permanece na seleção brasileira. Arthur está recuperado e retomou a vaga de titular como substituto de Fernandinho para o jogo com a Venezuela. Militão também foi liberado pelo departamento médico e realizou normalmente a atividade.

Segundo o lateral-direito e capitão Daniel Alves, o risco de lesão é um fantasma presente na seleção brasileira. “Nossa profissão é de risco. A gente não pode prever esse tipo de problema. Não se pode fazer um treino mais leve para evitar se machucar. Se você não der seu melhor, pode ficar fora de alguma forma”, afirmou.

O próprio jogador protagonizou no ano passado um problema que muito atormentou Tite durante a Copa do Mundo da Rússia. Daniel Alves machucou o joelho direito às vésperas da viagem à Rússia e perdeu a chance de disputar o torneio.

No ano passado, Neymar jogou a competição abaixo das condições ideais depois de sofrer fratura no pé direito, Danilo começou a Copa como titular, para depois se machucar e não voltar mais ao time. Jogadores como Renato Augusto e Douglas Costa também sofreram com problemas físicos na Rússia.

Os atletas admitem o risco de a qualquer momento se transformarem de titulares em desfalques. Como a competição já iniciou, a seleção brasileira não pode mais fazer trocas na inscrição em caso de lesão. “Nosso compromisso é se entregar 100%. Se por acaso tiver alguma lesão, é porque não era a nossa hora, não era para acontecer. Eu passei por isso ano passado”, disse Daniel Alves.

Fãs fazem ‘vaquinha’ para Madonna gravar clipe com Anitta

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Nesse domingo, 16, o ‘Fantástico’, da Globo, exibiu uma entrevista com a cantora Madonna e falou sobre o novo álbum da estrela norte-americana, o ‘Madame X’. Durante o bate-papo a artista disse que não poderia fazer o clipe de ‘Faz Gostoso’, em parceria com Anitta, por que o orçamento para divulgação do projeto já estava no fim.

Na ocasião, Madonna ainda fez uma brincadeira e disse que poderia fazer se fosse financiado e que o valor seria de aproximadamente R$ 1 milhão. No entanto, os fãs brasileiros decidiram colaborar para o lançamento do vídeo e começaram campanhas nas redes sociais.

Alguns fã-clubes de Anitta começaram a marcar grandes marcas no Twitter pedindo o financiamento do vídeo. Depois, vendo que a tática não estava dando certo, decidiram criar um ‘vaquinha’ online. O valor do pedido é o revelado pela artistas e os internautas estão empenhados para conseguirem o dinheiro e ver Anitta e Madonna juntas.

Beber este suco diariamente reduz risco de ataque cardíaco

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Uma nova pesquisa revela que beber suco de tomate reduz a pressão arterial e o colesterol, sobretudo nos indivíduos que sofrem de problemas cardiovasculares. O estudo aponta os inúmeros benefícios que o suco de tomate pode ter no coração.

Para efeitos da pesquisa, os investigadores disponibilizaram aos 481 participantes envolvidos no estudo a quantidade que quisessem de suco de tomate sem sal durante um ano.

Os participantes mantiveram diários relativos à ingestão do suco de tomate, nesses relatórios registravam a quantidade diária consumida, e adicionalmente quaisquer mudanças que notassem na sua saúde.

A pressão arterial diminuiu em média 20% em 94 dos participantes que sofriam de hipertensão e estavam ou não sendo acompanhados por um médico, segundo os dados publicados no periódico científico Food Science and Nutrition.

Entre os indivíduos que sofriam de colesterol alto, 125 experienciaram uma redução de 30% de gordura nos vasos sanguíneos, o que pode por sua vez causar ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais.

Os efeitos benéficos foram registados tanto em homens como em mulheres de diferentes faixas etárias, de acordo com a pesquisa realizada pela equipa de cientistas da Universidade Médica e Dentária de Tóquio, no Japão.

Adicionalmente, os investigadores consideram que associado ao consumo de tomate a população deve manter uma dieta sobretudo à base de vegetais, fruta e grãos integrais – alimentos estes que contribuem para a saúde cardiovascular e para o ótimo funcionamento do sistema circulatório.

A equipe de cientistas japoneses destacou ainda que não recomenda o consumo de mais de 150 mililitros de sumo de tomate ou de qualquer outra fruta, devido ao seu alto teor de açúcar.

Guedes teria brigado para manter Levy à frente do BNDES

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A escolha de Joaquim Levy para a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – da qual pediu demissão neste domingo, 16, após ameaça pública – teve vício de origem. O presidente Jair Bolsonaro e três dos seus auxiliares mais próximos na formação da equipe de governo cobraram explicações do então futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, assim que o nome do ex-ministro da Fazenda de Dilma Rousseff e ex-secretário de Fazenda de Sérgio Cabral começou a aparecer no noticiário para a presidência do banco de fomento.

Bolsonaro chamou Paulo Guedes para um conversa com esses auxiliares de confiança, contrários à indicação de Levy. “Estão dizendo que você escolheu o cara errado”, foi logo dizendo o presidente eleito. Os seis meses da gestão de Levy no banco foram marcados por atritos com o governo e funcionários.

Uma das preocupações do presidente era com a participação do Levy no famoso jantar, que ficou conhecido como a “festa dos guardanapos”, em Paris, quando Cabral foi condecorado pelo governo francês. A foto do jantar, que custou R$ 1,5 milhão, virou um símbolo da farra da corrupção.

Irritado, Guedes pediu uma conversa sozinho com Bolsonaro. Fez uma defesa forte do ex-ministro do governo do PT, um executivo com influência internacional. Diretor do Banco Mundial na época, com passagens em organismos internacionais e no setor financeiro, Levy poderia trazer dinheiro de fora do País para ajudar nos investimentos em infraestrutura que seriam necessários para impulsionar o crescimento da economia.

Guedes botou Levy no telefone com Bolsonaro, que explicou que já esteve a serviço do País em vários governos. Levy acabou sendo nomeando com a chancela de Guedes e Bolsonaro na posse chegou a dizer que o ministro escolheu os nomes sem interferência política.

Não foi o que aconteceu. Em várias oportunidades de entrevista e “lives”, Bolsonaro e seus filhos não perdiam oportunidade, de olho no seu público de apoiadores nas redes sociais, de cutucar o presidente do BNDES. Repetia sempre que era preciso abrir a “caixa preta” do banco, que foi marcado pela política econômica dos governos petistas por empréstimos bilionários para grupos empresariais envolvidos em escândalos de corrupção.

Bolsonaro cobrava nos bastidores uma posição mais firme de Levy sobre os empréstimos feitos para bancar obras na Venezuela, Cuba, Moçambique e Angola durante o governo do PT e que não estão sendo honrados.

O presidente do BNDES insistia que não havia nada que não tivesse sido mostrado. Preparou uma série de perguntas e respostas para detalhar os pontos. Não agradou o presidente e seus auxiliares, que seguiram cobrando a abertura da “caixa preta”.

Com Guedes, os problemas começaram já em março, pouco tempo depois da posse. O ministro se mostrava arrependido da escolha de Levy e fazia planos para transferi-lo para um posto do Brasil fora do País assim que tivesse oportunidade.

A insatisfação de Guedes era grande com a resistência do presidente do BNDES em não devolver antecipadamente os empréstimos do Tesouro. Levy botava empecilhos. Mesmo depois da cobrança pública de R$ 126 bilhões dos empréstimos feita pelo secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Para Guedes, o dinheiro do BNDES era importante no objetivo de redução da dívida, uma promessa de campanha de difícil execução diante do avanço dos gastos. Um caminho mais fácil e rápido, já que do lado de cortes das despesas não seria possível.

A insatisfação do ministro era grande também com o ritmo de venda os ativos do banco. Levy alegava que o banco precisaria de recursos com a retomada da demanda. Também dizia que não podia sair vendendo suas participações a qualquer preço.

Levy não percebeu os recados de que Guedes tem como meta reduzir o tamanho do banco. A birra aumentou depois que ele criou duas diretorias na direção contrária à orientação do ministro. Na equipe de Guedes, Levy ficou com carimbo de ter sido cooptado pelo corporativismo dos funcionários do BNDES. Queria que ele tivesse sido rápido em demonstrar aos funcionários o seu novo tamanho e nos esclarecimentos as devoluções para o Tesouro e mostrar aos funcionários importância de pagar o Tesouro.

Levy não administrou a pressão ou não quis fazê-lo por suas convicções. Mas nada justifica a forma como presidente o “demitiu” publicamente ao lhe atacar com críticas publicas.

A queixa do presidente em relação à nomeação de Marcos Barbosa Pinto foi apenas uma desculpa bem arranjada para a saída de Levy. Bolsonaro usou do seu método habitual de forçar uma situação insustentável que force o subordinado a pedir demissão. Teve apoio do ministro.

O seu sucessor, seja quem for, assume uma batata quente, principalmente com o avanço silencioso da CPI do BNDES no Congresso. Terá pela frente a resistência dos funcionários. Cobiçado por muitos, o posto de presidente do BNDES nos últimos tempos mais parece uma cadeira elétrica.

Vazamento de diálogos põe Brasília em alerta máximo

Telefone só serve para marcar reunião em lugar errado.” A frase citada pelo deputado João Roma (PRB-BA), vice-líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara, funciona como “mantra” para alertar que não se deve usar o telefone para passar informações “quentes”, mas para despistar possíveis tentativas de grampo. “Sigo esse ensinamento do ex-presidente Tancredo Neves quando tenho de tratar de algo pessoal ou delicado.”

O deputado não está sozinho. O vazamento de diálogos envolvendo autoridades acendeu uma luz amarela na Praça dos Três Poderes. No Congresso, a ação básica agora é a ativação da “confirmação em duas etapas” nos aplicativos de mensagens, o que confere maior segurança às conversas. Dentro do Planalto, o Gabinete de Segurança Institucional baixou ordem para que se usem aparelhos criptografados oferecidos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Já no Supremo Tribunal Federal, um integrante da Corte ouvido reservadamente pela reportagem disse que não dá mais para encarar o WhatsApp como um aplicativo privado, mas, sim, como um “alto-falante” que espalha conteúdo abertamente. Em Brasília, muitos têm migrado para o aplicativo de mensagens privadas Signal, considerado, por ora, o mais seguro da categoria.

O clima é de vigilância constante. Deputados e senadores que não se atentavam para questões de segurança digital passaram a buscar medidas para garantir privacidade no mundo virtual. Na semana passada, termos como “reforma da Previdência” e “crédito suplementar” deram lugar a “confirmação em duas etapas” e “criptografia”.

O fato de ainda não haver registro de ataques a aparelhos funcionais do Legislativo não evitou que aumentasse a busca de parlamentares pelo setor de tecnologia da Casa, atrás de auxílios técnicos e pedidos de varreduras, para verificar se seus aparelhos estão grampeados. Para Roma, “essas arapongagens e fake news” são coisas antigas na política. “Mudam apenas os meios tecnológicos.” O líder do Podemos, deputado José Nelto (GO), busca informações sobre como proteger sua conta e pretende levar uma orientação para que sua bancada adote a dupla verificação nos aparelhos.

Há quem se prepare contra invasões há tempos, como o deputado e líder do MBL Kim Kataguiri (DEM-SP). “Sou técnico em processamento de dados, não leu meu Wikipédia?”, brincou. Para ele, a adoção de duas senhas não é suficiente para evitar a ação de hackers. “Criptografo todos os dados do celular, pago antispyware”, disse, citando programa que detecta “espiões”.

A prevenção, em alguns casos, passa pela substituição frequente de equipamentos. O deputado do PSL Alexandre Frota (SP) troca de aparelho a cada três meses. “Todo mundo fica tendo acesso ao número e acaba que fica vulnerável.” A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), adota a prevenção como maneira de coibir possíveis ataques. Todos os meses, seus dois aparelhos passam por varreduras de técnicos de segurança da informação. A deputada não atende telefonemas de números desconhecidos.

Celular criptografado não ganha adeptos no Planalto

No Planalto, os aparelhos celulares criptografados fornecidos pelo GSI não conquistaram usuários ilustres. A ideia era que ministros e o presidente Jair Bolsonaro tivessem uma comunicação mais segura, mas os telefones só falam entre si e não têm muitas funcionalidades. Por isso, não ganhou muitos adeptos no governo. Bolsonaro, durante café da manhã com jornalistas na sexta-feira, 14, disse que não usa o aparelho recomendado. “Sigo agindo da mesma maneira. Não tenho nada a esconder.”

No Supremo e na Procuradoria-Geral da República, a atenção foi redobrada. “Imaginem, Vossas Excelências, se algum de nós perde o celular”, disse o ministro do STF Ricardo Lewandowski, em sessão realizada na terça-feira passada.

Ministros do STF adotam cautela em comunicações privadas

Ministros do tribunal costumam ser cautelosos em suas comunicações privadas. Como estão acostumados a decretar quebra de sigilo telefônico, sabem que não estão imunes a vazamentos. É prática dentro do STF não fazer ligações por linhas telefônicas, mas chamadas de áudio via WhatsApp, consideradas mais seguras que as comuns.

Em conversa com jornalistas, o ministro Gilmar Mendes demonstrou preocupação com o risco de ataques, especialmente com o plenário virtual da Corte, plataforma online onde processos são julgados. “Veja o tumulto que pode ocasionar uma invasão nessa área. Muitas vezes, deixamos votos em preparação e podemos mudar esse voto. Imagine uma violação no meio da preparação de um voto? Isso tem resultados trágicos”, afirmou Gilmar.

O uso de “bots”, aplicativo que simula ações humanas para, entre outras tarefas, impulsionar conteúdo, foi citado pela ministra Cármen Lúcia. “Hoje temos a informação e a deformação de retóricas que não têm nem fonte humana, mas que têm consequência jurídica, política e institucional de toda a natureza”, disse Cármen. “Nós estamos ingressando no Admirável Mundo Novo, no 1984, de George Orwell”, completou Lewandowski. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Moro se explicará ao Senado em estratégia para evitar CPI

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A ida do ministro Sergio Moro (Justiça) à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado nesta próxima quarta-feira (19) foi resultado de um cálculo do desgaste a que o ex-juiz da Lava Jato seria submetido no Congresso.

Moro e outros auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (PSL) entenderam que ir espontaneamente ao Legislativo para explicar a troca de mensagens com o procurador Deltan Dallagnol era uma jogada relativamente segura, como o objetivo de frear eventual CPI com foco no ministro, tido como uma reserva ética do governo.

Nas conversas divulgadas pelo The Intercept Brasil, o então juiz da Lava Jato troca colaborações com Deltan, coordenador da força-tarefa, o que é vetado por lei. Segundo o site, as mensagens foram enviadas à reportagem por fonte anônima e se referem ao período de 2015 a 2018.

Na segunda (10), um dia após a divulgação das primeiras conversas, o senador Angelo Coronel (PSD-BA) protocolou na CCJ um requerimento para convocar o ministro. O congressista começou também a coletar assinaturas para criar uma CPI.

Nas redes sociais, parlamentares cobravam a volta da tramitação de projetos que combatem o abuso de autoridade e apontavam os reflexos que a crise teria no calendário do pacote anticrime apadrinhado por Moro.

Por volta das 10h de terça-feira (11), parlamentares e ministros, inclusive o próprio Moro, se encontraram na cerimônia de comemoração do 154º aniversário da batalha naval do Riachuelo. Durante o evento, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, foi avisado da apresentação dos requerimentos pela presidente da CCJ, senadora Simone Tebet (MDB-MS). Assim teve início o plano do governo federal para conter a crise.

Apesar da tensão, Moro preferiu manter os compromissos agendados e foi ao Senado naquele dia almoçar com parlamentares de DEM, PL (ex-PR) e PSC.

Chegou cercado por seguranças e evitou os jornalistas que o aguardavam. Entrou na sala onde era esperado e quis começar a conversa dando sua versão sobre os conteúdos vazados, mas foi interrompido por Wellington Fagundes (PL-MT), coordenador do bloco Vanguarda, que reúne os senadores das três siglas.

Como o encontro, marcado 15 dias antes, era de relacionamento, Fagundes não quis polemizar de partida. O assunto voltou somente ao fim do papo, trazido pelo governador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e por um debate entre os senadores Juíza Selma (PSL-MT) e Marcos Rogério (DEM-RO).

Mas Moro não chegou a mencionar a carta assinada pelo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que seria divulgada horas depois pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“Comunico a vossa excelência que fui informado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, de sua disponibilidade para prestar os esclarecimentos à CCJ do Senado Federal sobre notícias amplamente veiculadas na imprensa relacionadas à Operação Lava Jato”, dizia trecho da carta lida por Davi durante sessão do Congresso, que reúne deputados e senadores.

“Não é adequado que o ministro escolha, que o ministro decida e a gente não possa participar dessa decisão”, reagiu, em vão, o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS).

Para os congressistas, a conta do Planalto era óbvia: ao se oferecer para ir ao Senado, livrava-se do constrangimento de ser convocado, ia para um ambiente relativamente controlado e menos hostil que a Câmara e esfriava os ânimos da criação da CPI.

Até agora, o plano deu certo. Integrantes do PT no Senado já diziam não querer CPI por dois motivos. Primeiro, não sabem o tamanho que a crise pode ganhar com a divulgação de novas conversas.

Além disso, petistas afirmam que, em vez de abrir dois flancos, é melhor priorizar a CPI para investigar fake news nas eleições de 2018, cujo requerimento de criação já está sobre a mesa de Davi.

Angelo Coronel colocou seu requerimento, ainda com número insuficiente de assinaturas, na gaveta. Diz a aliados que guardará o papel para o caso de o clima virar.

Senadores avaliam que a conta de Moro tem tudo para resultar num saldo positivo na quarta-feira. Entendem que o ministro tem gordura de apoio popular para queimar e apostam que não haverá nomes para constrangê-lo.

Reservadamente, dizem que o PT não estará tão à vontade na sessão porque qualquer manifestação mais enfática pode soar ideológica e como bandeira contrária ao combate à corrupção.

Dizem ainda que antagonistas de Moro, como Renan Calheiros (MDB-AL), também não devem ir para o confronto, sob risco de acabar fortalecendo o ministro.

Além disso, questionadores recorrentes em comissões, como Alvaro Dias (Pode-PR) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), tendem a poupar o ex-juiz da Lava Jato. No passado, eles já saíram várias vezes em defesa da operação.

Mas a tentativa de redução de danos não brecou ofensivas do Congresso em outras frentes. Moro se viu obrigado a também ir voluntariamente à CCJ da Câmara, e a CCJ do Senado deve votar na terça (18) um convite a Deltan para prestar esclarecimentos.

Na semana seguinte, está prevista a apreciação no colegiado do pacote de dez medidas anticorrupção, que inclui a legislação de combate ao abuso de autoridade.

O projeto estava parado no Senado e foi desengavetado a pedido de Davi. Às pressas, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) redigiu seu relatório alterando o texto em temas que poderiam fazê-lo travar.

O relatório proíbe a criminalização da interpretação de juízes e exige presença de dolo específico, ou seja, é preciso que haja vontade de praticar o abuso de autoridade.